UMA NOITE TARANTINESCA
Acordou com a cabeça que parecia que ia explodir. A língua grossa igual a de um gato. O vômito no chão e o nariz entupido indicavam que não tinha usado o truque do Dramin com Neosoro.
Conferiu se a arma, a carteira e o celular estavam em cima do gaveteiro ao lado da cama. Percebeu que estava nu e que não fazia a menor ideia de como havia chegado em casa.
Ao se levantar para ir ao banheiro, se olhou no espelho e viu um olho roxo, sua mão direita também estava machucada.
Não era preciso ser muito inteligente para descobrir que - mais uma vez - tinha se metido em uma briga.
A pergunta que ele se fazia era: "Com quem será que eu briguei e por quê?"
Abriu uma cerveja para tomar junto com o comprimido de Dorflex, voltou para a cama e esperou a mágica acontecer.
Quando estava quase pegando no sono novamente o celular tocou.
- Alô.
- Fábio. Tá vivo, bicho? Hahaha.
- Mais ou menos.
- Maluco, ontem você estava possuído, pensei que ia matar a gente.
- É mesmo? O que foi que eu fiz?
- Você não se lembra de nada?!
- Não. Quero dizer, mais ou menos; eu lembro que cheguei no bar e você, a Déia e a Bárbara já estavam lá me esperando. Pedi uma rodada de tequila pra gente e depois acordei pelado na minha cama.
Puta que pariu! HAHAHA!
- O que foi, caralho?!
- Mano, você já chegou muito louco. Cheirou cocaína nos peitos da Bárbara, deu um tapão da porra na bunda da Déia e chamou de "hipster filho de uma puta" um cara da mesa ao lado, só porque ele tinha um coque samurai e estava bebendo uma caipifruta.
- Porra, coque samurai e caipifruta é coisa de hipster mesmo!
- Sim. Até aí, tudo bem. O problema vem depois. Você ficou entornando uísque e cerveja como se não houvesse o amanhã. O seu semblante estava diferente, parecia até que estava possuído por alguma entidade.
- O Exu Caveira? Hahaha!
- Pode ser.
- Foi só isso que eu aprontei?
- Não. O pior ficou para o final. Eu e a Déia saímos para fumar um cigarro, quando voltamos você e a Bárbara estavam, praticamente, transando no fundo do bar. Na hora de pagar a conta, um cara se desentendeu com a moça do caixa e se recusou a pagar a conta. Você - e não me pergunte o porquê - deu uma cotovelada nele, que caiu desmaiado. Começou um quebra-pau desgraçado. Era garrafa, soco, chute e cadeira voando pra todo lado. Quando a polícia chegou nós tínhamos acabado de entrar no seu carro. Você saiu cantando pneu e queimando todos os sinais vermelho até chegar aqui em casa. Foi um verdadeiro milagre não termos sofrido um acidente. Você se despediu e disse que iria direto para a sua casa.
- Caralho... Eu não lembro de nada disso que você está me contando.
- Pois é, bicho, eu não sei como você não se matou e nem matou ninguém no caminho. Você estava descontrolado.
- Se eu tivesse me matado, pelo menos, não estaria com essa puta ressaca.
- Vai dormir que essa porra passa.
- Pode crer, Chico. Valeu. Falou.
- Falou. Abraço.
- Outro.
Antes de se deitar, Fábio foi até a garagem buscar um cigarro dentro do carro.
O telefone do Chico toca.
- Alô.
- Chico, fodeu!
- Como assim, Fábio?!
- O meu carro está amassado e tem muito sangue no parabrisa. Eu acho que matei alguém.
Conferiu se a arma, a carteira e o celular estavam em cima do gaveteiro ao lado da cama. Percebeu que estava nu e que não fazia a menor ideia de como havia chegado em casa.
Ao se levantar para ir ao banheiro, se olhou no espelho e viu um olho roxo, sua mão direita também estava machucada.
Não era preciso ser muito inteligente para descobrir que - mais uma vez - tinha se metido em uma briga.
A pergunta que ele se fazia era: "Com quem será que eu briguei e por quê?"
Abriu uma cerveja para tomar junto com o comprimido de Dorflex, voltou para a cama e esperou a mágica acontecer.
Quando estava quase pegando no sono novamente o celular tocou.
- Alô.
- Fábio. Tá vivo, bicho? Hahaha.
- Mais ou menos.
- Maluco, ontem você estava possuído, pensei que ia matar a gente.
- É mesmo? O que foi que eu fiz?
- Você não se lembra de nada?!
- Não. Quero dizer, mais ou menos; eu lembro que cheguei no bar e você, a Déia e a Bárbara já estavam lá me esperando. Pedi uma rodada de tequila pra gente e depois acordei pelado na minha cama.
Puta que pariu! HAHAHA!
- O que foi, caralho?!
- Mano, você já chegou muito louco. Cheirou cocaína nos peitos da Bárbara, deu um tapão da porra na bunda da Déia e chamou de "hipster filho de uma puta" um cara da mesa ao lado, só porque ele tinha um coque samurai e estava bebendo uma caipifruta.
- Porra, coque samurai e caipifruta é coisa de hipster mesmo!
- Sim. Até aí, tudo bem. O problema vem depois. Você ficou entornando uísque e cerveja como se não houvesse o amanhã. O seu semblante estava diferente, parecia até que estava possuído por alguma entidade.
- O Exu Caveira? Hahaha!
- Pode ser.
- Foi só isso que eu aprontei?
- Não. O pior ficou para o final. Eu e a Déia saímos para fumar um cigarro, quando voltamos você e a Bárbara estavam, praticamente, transando no fundo do bar. Na hora de pagar a conta, um cara se desentendeu com a moça do caixa e se recusou a pagar a conta. Você - e não me pergunte o porquê - deu uma cotovelada nele, que caiu desmaiado. Começou um quebra-pau desgraçado. Era garrafa, soco, chute e cadeira voando pra todo lado. Quando a polícia chegou nós tínhamos acabado de entrar no seu carro. Você saiu cantando pneu e queimando todos os sinais vermelho até chegar aqui em casa. Foi um verdadeiro milagre não termos sofrido um acidente. Você se despediu e disse que iria direto para a sua casa.
- Caralho... Eu não lembro de nada disso que você está me contando.
- Pois é, bicho, eu não sei como você não se matou e nem matou ninguém no caminho. Você estava descontrolado.
- Se eu tivesse me matado, pelo menos, não estaria com essa puta ressaca.
- Vai dormir que essa porra passa.
- Pode crer, Chico. Valeu. Falou.
- Falou. Abraço.
- Outro.
Antes de se deitar, Fábio foi até a garagem buscar um cigarro dentro do carro.
O telefone do Chico toca.
- Alô.
- Chico, fodeu!
- Como assim, Fábio?!
- O meu carro está amassado e tem muito sangue no parabrisa. Eu acho que matei alguém.
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