A POSTIMEIRA NOITE DE UM BOÊMIO
O telefone toca:
- Alô.
- E aê, gostoso, beleza?
- Opa! O que pega, delícia?
- Papai saiu, foi para a casa da namorada e não sei quando volta.
- Como assim não sabe? Ele pode voltar a qualquer momento...
- Relaxa, ela mora em São José. E outra, ele costuma ir e passar o final
de semana por lá mesmo.
- Beleza. E qual horário eu devo aparecer aí?
- Ah... sei lá. Depois das 22:00 horas.
- Certo. Quer alguma coisa, cerveja, pizza...? Sei lá.
- Traz maconha. Tenho vinho aqui.
- Vinho?Aff... que bosta! Vou comprar “umas Heineken”...
- E maconha!
- Ok, ok. Beijo.
Vê se não chega muito tarde, viado. Beijo.
Ele tomou banho, vestiu uma capa de chuva, subiu em sua moto e foi para
o bar. O bar é sempre o melhor lugar para começar a noite. Tomou umas cervejas
e junto com as geladas um Scotch envelhecido 12 anos. O uísque está para a
libido assim como Tarantino está para o cinema.
Já passam das 22:00 quando ele sai do bar. Está ligeiramente ébrio. A chuva
ainda não tinha cessado. Do bar até ao sítio onde ela mora são aproximadamente
8 km de estradas esburacadas, iluminação precária e lama, muita lama.
É o local ideal para quem quer se isolar, o vizinho mais próximo está a uns
200, 300 metros de distância.
Ele chega, desce da moto e toca a campainha. Ele nunca buzina na porta da casa
de uma garota.
O portão se abre e ele coloca a moto para dentro, no quintal para ser mais
específico. Debaixo de uma varanda ele tira aquela roupa emborrachada e se
beijam. Sem muita empolgação, mas se beijam.
Eles entram na casa pela sala e as luzes estão propositalmente apagadas;
se não fossem pelas luzes emitidas pela televisão e o aparelho de som, a casa
estaria um breu.
Vão até a cozinha para colocarem a cerveja na geladeira. Ele acende a luz e as
trevas se dissipam. Ela está linda (roupas pretas caem muito bem em pessoas
brancas). Ela está usando um short preto de lycra, bem apertado, e uma baby look
de alguma banda de rock dos anos 80.
Quase não há tempo para guardar a cerveja, pois, a luxúria toma conta dele. Ele
a puxa pelo braço, não com força, mas com firmeza, e a beija, porém, desta vez
com tesão.
Ele a aperta contra a porta da geladeira, suas mãos descem da cintura para a
bunda e os beijos vão da boca para o pescoço. Ela é colocada sentada em
cima da mesa de mármore, por ele poderiam transar ali mesmo; mas ela ainda não
está totalmente no clima. A luz e sobriedade a atrapalham.
Pegam uma cerveja e voltam para sala. Ela não precisa de muito tempo
para ficar bêbada, é fraca para a bebida.
A lascividade se inicia novamente; mas desta vez ao som de Creedance Clearwater
Revival e pouca luz. Agora é como se Baco estivesse ali presente e assistisse tudo
do sofá ao lado.
Ela é muito sexy. Branca, magra, seios pequenos e uma bunda bem
desenhada. Não empinada como as das garotas que jogam vôlei, uma bunda malhada.
Não. Mas mesmo assim uma bunda muito bem desenhada.
Eles transam como verdadeiros selvagens. Tapas, palavrões e gemidos não
foram abafados pelo som do rádio. Estão completamente tomados pela
loucura. E num momento de rebeldia repentina ela toma um gole de cerveja e
arremessa a long neck contra a parede. Um caco de vidro acerta o seu rosto na região
da sobrancelha e o faz sangrar; mas isso não foi o suficiente para parar esses
dois.
Ele a amarra, com sua cueca, com as mãos para trás e a deixa de bruços no sofá.
Começam a fazer anal.
- Não! Para, aí dói!
- Dói, é? Foda-se! Hahaha...
- Para, por favor, para...
E de repente a porta da sala se abre e três disparos atingem o diletante
inebriado.
- Não,
pai! O que você fez?!
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